Quem vai dar o primeiro passo?
O primeiro grande evento de esportes eletrônicos de 2010 no Brasil está chegando. Estou falando da ESWC Brasil, que traz junto dela a rivalidade entre as equipes, a torcida de cada um dos times e a emoção durante as classificatórias para definir os finalistas em São Paulo e após isso os representantes do Brasil na França.
O chato (eu), é que por maior que seja a empolgação de jogadores e organizadores para que este tipo de esporte se profissionalize aqui no Brasil, o que acabamos vendo são etapas locais mal organizadas, pecando em infra-estrutura e desrespeitando os horários das partidas. Isso acaba com o ânimo de qualquer jogador, que em algumas das vezes sai da sua cidade e viaja com o horário de volta marcado, agendado previamente após consultar a tabela da competição. Sem falar dos espectadores e responsáveis de websites que cobrem o evento e que passam o dia inteiro na frente do computador esperando por notícias que dificilmente chegam completas e na hora certa.
Por outro lado, só quem já esteve do lado da organização sabe o quanto é difícil organizar um bom campeonato de Counter-Strike. Imagine juntar cerca de 80 adolescentes em um pequeno espaço e ter que dar atenção a quase todos. Imagine também ter que ficar correndo atrás deles na véspera do campeonato para conseguir montar a tabela dos jogos, já que eles sequer se preocupam em mandar os comprovantes de depósito da inscrição ou acabam deixando para pagar em cima da hora. Tem também aqueles jogadores que são mimados e reclamam até da altura da cadeira. Sem falar dos frescos, que levam 1:30h esquentando e juram de pé junto que a sua tela está tremendo e que ao jogar 32 smokes no fundo da dust2 o fps cai.
Mas então espera!!! Não seria melhor que as lans que organizam competições tivessem máquinas extras pré-configuradas para o evento para que, no caso de pane, os jogos não atrasassem? E que os horários fossem respeitados e melhor distribuídos, diminuindo assim o tempo ocioso dos participantes que ali esperam ansiosamente para jogar? E também que os organizadores divulgassem mais facilmente as informações para que pessoas em todo o Brasil pudessem acompanhar em tempo-real?
Ahhhh, e que os jogadores por sua vez fizessem a sua parte e se inscrevessem nas competições assim que estas fossem abertas? Sem falar do bom senso, que deveriam ter durante os jogos, entendendo o lado de quem está organizando, que fez de tudo para que as máquinas estivessem em perfeitas condições e que está correndo para tentar cumprir os horários da tabela.
Claro que seria, e lendo novamente o que escrevi percebi que nada que eu disse parece impossível. É até simples, exigindo é claro bom senso. Mas quem vai dar o primeiro passo: o jogador ou o organizador?
Se nenhum dos dois der, fica tudo como está e eu diria inclusive que tanto organizar quanto participar de uma competição de CS está fora de cogitação. Mas aí fica a pergunta: Por que ter um time e treinar durante semanas se não for para participar de competições? Eu respondo: É um mal necessário, que por mais que todo mundo saiba que as chances de sair do evento estressado é alta, no final das contas acaba tudo valendo a pena. E é por isso que o CS 1.6 continua bombando, mesmo após os profetas paraguaios afirmarem que "este ano será o último do 1.6 !



