bt0: “Foi o pior momento da minha carreira”
Para complementar a declaração de Jean Michel “mch” D’Oliveira, que explicou tudo que aconteceu na participação do MIBR na KODE5 Last Stance, na Colômbia, conversamos com o capitão Fillipe “bt0″ Moreno, que também contou alguns momentos pelos quais a equipe passou.
Ele, que fez aniversário no último sábado, disse que foi o pior momento de toda sua carreira no Counter-Strike. Confira a entrevista:
Vocês embarcaram para Bogotá na quinta-feira. Como foi a viagem e qual foi a sensação de estar indo para o primeiro campeonato internacional da equipe?
A sensação era incrível. A viagem era só alegria, brincadeiras e bom humor, como de costume. Acima de tudo, todos tinham dentro de si a esperança de tirar essa falta de sorte que vinhamos tendo, de não conseguir jogar nas condiçõs que queríamos desde que viramos mibr. Esse campeonato seria para tirar a “zica”, mas não conseguimos.
O que vocês fizeram até o início do torneio, na sexta-feira?
Fomos muito bem recebidos por jogadores do time Colombiano F1F, que nos esperaram no hotel e nos levaram depois a uma lan house para jogar um pouco antes do campeonato. Conversamos muito, deixamos claro qual seria nossa postura no campeonato. Jogaríamos pra cima, com agressividade. Queríamos melhorar ainda mais a imagem que os sul-americanos tem do Counter-Strike brasileiro, que, pelo que percebi, é referência na América.
Depois de esperar mais de dez horas para a primeira partida da KODE5 Last Stance, em algum momento você pensou que isso poderia prejudicar vocês?
A todo momento eu pensava no cansaço, no pé doendo e na vontade de estar jogando. Nosso objetivo era de entrar no Draft e, para falar a verdade, era de ser campeão. Isso não nos desmotivou, só queríamos jogar.
Com as duas vitórias inciais com placares bastante expressivos, você teve a certeza de que o MIBR iria se classificar para a KODE5 Latin America?
A classificação era algo natural, mas queríamos nos apresentar bem em todos os jogos. Queríamos mostrar para nós mesmos que essa maré de azar tinha passado.

Houve muitos boatos sobre o motivo da ida de três jogadores para o hotel, que resultou no WO. O que realmente aconteceu?
O que realmente aconteceu foi que somos muito amigos e nos ajudamos para não sobrecarregar ninguém. Ao perguntar ao time quem iria comigo ao hotel, o único que realmente quis ir comigo foi o Red. O michel disse que sua mala estava pronta e fechada e falou que não tinha necessidade de ir, o Maluk3 estava na mesma situação, só pediu para pegarmos escova de dente e alguma coisas que estavam jogadas no quarto e o adr resolveu ir porque tinha laptop e outras coisas no armário e preferiu arrumar a própria mala com medo de que alguém esquecesse algo.
Na transmissão da stream, foi possível ver você conversando com os organizadores do campeonato protestando contra a desclassificação do mibr. Quais foram os argumentos usados e o que os responsáveis pelo campeonato responderam?
Eu, michel e mandrak (do GoldenGlory) estávamos pedindo BOM SENSO da organização, falando que viemos do Brasil somente para jogar esse campeonato. Dissemos também que esperamos 12 horas para o nosso jogo e que não conseguíamos acreditar que a organização podia esperar uma hora por nós! Argumentamos tudo que foi possível, mas falar em inglês um por vez, nos revezando, contra 15 colombianos e um argentino, que estava se achando o dono do campeonato, foi uma troca injusta. Faltou pulso firme do organizador, que ao meu ver não deveria optar por um WO em um evento mundial, quando a partida poderia ser feita facilmente ou outras possibilidades poderiam ser adotadas. Mas eles optaram por continuarem deixando o argentino e os colombianos organizando o campeonato.
De acordo com o frz4tw, do GoldenGlory, houve uma pressão muito grande por parte dos colombianos e de argentinos pela eliminação do MIBR. Isso realmente aconteceu?
Sim, não de todos os colombianos, pois existem muitos que são realmente boas pessoas, mas muitos jogadores colombianos e o tal argentino não paravam de falar um minuto sequer. E como já disse, comparar a argumentação do michel e do mandrak em inglês contra 15 pessoas falando a língua dos organizadores sem parar não é uma troca justa.
Houve alguns boatos de que havia um clima de hostilidade no local do evento. É verdade isso? Os brasileiros estavam sendo muito pressionados?
Não, fomos muito bem tratados por todos. Os que não nos trataram muito bem, ficaram na deles. Hostilidade não houve! E que isso fique claro.
Vocês se sentiram injustiçados?
COM CERTEZA! Essa foi a maior injustiça que já aconteceu comigo dentro do Counter-Strike, principalmente pela proporção do campeonato e de tudo que vale para o meu time hoje em dia, uma derrota/vitória em campeontato. Ser mandado para casa sem perder nenhum jogo nunca sairá da minha cabeça! Nada pode pagar o que sofremos em Bogotá.
No primeiro campeonato internacional, que tinha tudo para dar certo para a equipe, vocês enfrentaram inúmeros problemas. Qual a sensação, agora de volta ao Brasil, pensando em tudo que aconteceu?
Muitos não sabem, mas dia 22 foi meu aniversário e eu, sinceramente, queria esse título de presente. Pedi isso para os meus companheiros e amigos inúmeras vezes e esse troféu foi prometido. Sábado foi o pior aniversário da minha vida e o pior momento em toda minha carreira. Desde que viramos o playArt, deixamos de ser apenas nós cinco, existe toda uma organização que acredita em nós. Quando somos injustiçados, ficamos tristes por todos que acreditam no mibr. E por mais que possamos explicar, todos nos perguntam: o que aconteceu? Só quem estava lá conseguia sentir o que foi aquele campeonato, o quanto é ruim estar em outro país e se sentir injustiçado sem poder ao menos voltar para casa.



