Equipe do MIBR explica o ocorrido na KODE5
Tínhamos algumas dúvidas se deveríamos contar ou não o que aconteceu para a eliminação do mibr na KODE5 Latin America, mas após a “justificativa” da organização sobre o ocorrido, o time do mibr se prontifica a esclarecer os fatos. Antes de relatar a decisão sobre o WO em si, vamos dar uma base geral sobre as condições do evento.

Sexta-feira
Chegamos ao campeonato por volta das 9 horas da manhã de sexta, com a premissa de que nosso jogo seria nesse horário. Já nesse momento, havia uma grande desorganização por parte do staff no check-in dos times e dos espectadores já presentes no local do evento. Tal procedimento tão simples durou por volta de três horas. Quando tínhamos a esperança dos jogos começarem, o evento sofreu com uma falta de luz que parou o mesmo por mais duas horas. Finalmente fomos chamados para a primeira partida do Grupo A do Last Stance no palco. Vimos máquinas com sistemas operacionais diferentes, monitores diferentes de 17 até 22 polegadas e, aparentemente, a organização, após formatar as máquinas para o campeonato e prepará-las para o início, esqueceu de instalar serviços básicos como Service Pack e Net Frameworks. Tal falta de conhecimento do staff fez com que os jogos fossem cancelados com todos os jogadores nas máquinas, pois muitos PCs apresentavam problemas de diversas naturezas. A organização pediu mais tempo para preparar todas as máquinas novamente (com o evento já aberto ao público) e resultou em mais atraso.
Com as máquinas prontas, em vez de começar as partidas do Last Stance, a organização preferiu parar novamente o torneio para a fazer a cerimônia de abertura. Um jogador de cada nação iria subir ao palco com a bandeira de seu país nesse procedimento. Curiosamente, aparece nesse momento um personagem: um argentino que fazia parte do staff do torneio, que infelizmente não sei o nome, subiu ao palco representando seu país com muita euforia, ato que consideramos inadequado, pois o staff da KODE5 deveria demonstrar imparcialidade.
Gostaria de deixar bem claro que tanto as partidas do Last Stance quanto do Draft em nenhum momento tiveram horários marcados pela organização. A ordem dos times a jogar era na base do grito e, obviamente, estávamos sendo prejudicados por termos problemas de comunicação com a organização, visto que não falamos espanhol. O único integrante do staff da KODE5 que falava inglês fluentemente era o Sr. Martín Lescano Casanova, que se identificou apenas como representante sul-americano da marca KODE5 e que não estava em posição de tomar decisões relacionadas ao evento, estando no mesmo apenas para assistir. Declaração esta que se tornou falsa no ocorrido do WO dado ao mibr que está a ser relatado.
Por volta das 22 horas de sexta, fomos convidados a jogar a nossa primeira partida pelo Last Stance (campeonato pré-Draft, que supostamente acabaria na própria sexta). Outro fato importante a ser relatado é que o formato dos playoffs da Last Stance estavam combinados para ser melhor de três mapas em Single Elimination. Entretanto, o formato foi trocado por Single Elimination com apenas um mapa com o campeonato já em andamento. A decisão foi tomada com a justificativa de “economizar tempo no sábado com essas partidas” – partidas estas que deveriam ser todas feitas na sexta-feira. Após vencer o primeiro jogo do grupo, recebemos a notícia de que o segundo aconteceria apenas no dia seguinte, o que provocou nossa indignação.
Sábado parte 1
Mais uma vez chegamos ao evento por volta das 9 da manhã. Após 2 horas de espera, jogamos e nos classificamos para a Fase Eliminatória, onde enfrentaríamos a equipe Hadouken, valendo vaga na KODE5 Latin America Draft. Fomos almoçar no shopping em que o evento estava sendo realizado. Na volta, fomos informados de que o nosso jogo aconteceria em 1 hora e meia, sem horário oficial marcado e apenas sendo comunicados informalmente como sempre. Permito-me fazer uma pausa nesse momento para explicar a situação do mibr em Bogotá.
Viagem/Hotel
Após sermos derrotados pelo GoldenGlory na partida online que valia a vaga para a KODE5 Latin America, pensamos que não iríamos mais à Colômbia. Porém, dois dias antes do que seria a viagem, fomos avisados de que jogaríamos o Last Stance e que nós, jogadores, teríamos que pagar do nosso próprio bolso um hotel para ficar na cidade até que nos classificassemos para o Draft e fossemos nos hospedar no hotel oficial do evento. Nada mais justo, pois a organização do mibr acreditou em nossa performance na lan e nos conseguiu a vaga no Last Stance junto com as passagens pagas para a Colômbia, marcadas para quinta-feira. Dessa maneira, teríamos que pagar duas diárias (a noite de quinta para sexta e a de sexta para sábado). Com a classificação para o Draft, o nosso check in no hotel oficial do evento estaria liberado a partir do meio dia de sábado, eliminando a necessidade de pagar outra diária em nosso hotel anterior, que por sinal já estávamos passando por problemas financeiros para pagar.
Sábado parte 2
Levando em conta as informações anteriores, os jogadores bt0, adr e Redfox se dirigiram ao nosso hotel. Para ir do local do evento até o hotel levava por volta de 20 minutos, tanto na ida quanto na volta. Já que os jogadores tinham 1 hora e 30 minutos para estarem de volta ao evento, a decisão de buscar nossas malas para evitar que outra diária fosse cobrada (o que causaria sérios problemas financeiros para nós) era segura. ANTES dessa 1 hora e meia terminar, eu (mch) e Maluk3 fomos chamados para nos prepararmos para a partida. Não vimos problemas, tendo em vista que não existiam outras partidas a serem jogadas pelo Last Stance. Enquanto eu configurava minha máquina e novamente tendo problemas com ela, os juízes da partida começaram a perguntar onde estavam os jogadores restantes do mibr. Esclareci a situação com os fatos acima citados e lhes pedi compreensão. Os aparelhos celulares de nenhum dos jogadores do mibr estava funcionando, devido a falta de sinal fora do Brasil, impossibilitando a comunicação entre a equipe. Alguns minutos depois, o Hadouken, da Colômbia, ciente das nossas condições, começou a pressionar a organização pedindo o WO, já demonstrando sua falta de fair-play.
É chamada uma reunião. Eu, em nome do mibr, junto com o mandrak do GoldenGlory, estávamos explicando a situação do mibr, em inglês, para o Sr. Martín Lescano Casanova. Fomos interrompidos pelo staff argentino e no mínimo 15 colombianos, incluindo os jogadores do Hadouken, que retiraram-no de nossa conversa e ficaram falando entre eles por no mínimo 15 minutos, pressionando-o em espanhol para eliminar a equipe do mibr. Após tal acontecimento, o staff argentino, muito exaltado, começou a me pressionar para apresentar o time em no máximo cinco minutos. Calmamente, expliquei a situação e, por sorte, o mandrak tinha o cartão do hotel que estávamos hospedados. O Sr. Martín Lescano Casanova entrou em contato com o hotel e recebeu a informação de que os três jogadores já haviam saído há 20 minutos de lá, a caminho do evento. Obviamente, em razão da demora, os jogadores estavam tendo problemas para chegar no local.
Com a informação de que estavam a caminho, em vez de a pressão parar, ela só aumentou. Os colombianos e o staff argentino mostravam uma estranha vontade de ver o mibr fora do campeonato a qualquer custo – gostaria de salientar que em nenhum momento vi os jogadores da equipe Wild Ineters opinarem sobre a situação. Nesse momento, o Sr. Martín Lescano Casanova, visivelmente influenciado pela pressão externa e mesmo sabendo que os jogadores estavam a caminho, tomou a decisão de aplicar o WO no mibr para o meu desespero e para o desespero dos jogadores do GoldenGlory, todos perplexos com tal atitude injusta, sendo que nós esperamos por mais de DEZ horas de pé no dia anterior e agora estávamos sendo eliminados de um torneio FORA DE NOSSO PAÍS por uma demora de um pouco mais de uma hora. Por volta de 20 minutos após a decisão, os jogadores restantes do mibr chegaram e explicaram a situação, de que enfrentaram um engarrafamento caótico no trânsito de Bogotá na volta para o evento. Na tentativa de reverter a decisão, procurei o Hadouken, que mesmo possuindo os seus cinco jogadores no local, friamente nos disseram que não qureriam jogar e que preferiam a vitória por WO, mesmo estando aptos a realizar a partida. Ainda tentei argumentar com o Sr. Martín Lescano Casanova para que um dos grupos do Draft tivesse quatro em vez de três times, assim não atrapalhando o Hadouken e não prejudicando o mibr. A proposta, que seria totalmente viável, foi negada friamente.
Considerações finais
Abalados com a decisão injusta da organização e com a falta de fair-play da equipe Hadouken, ficamos no local esperando por algum milagre que nos colocase de volta na competição. Porém, o que vimos foi a demora de mais QUATRO horas para o começo da KODE5 Latin America, demora essa que foi motivo para a eliminação do mibr do Last Stance. “Sensibilizada” com a nossa situção, a organização nos ofereceu a hospedagem no hotel destinado às equipes classificadas para o Draft. Entretanto, o que foi dito na “justificativa” da KODE5 em relação a transporte e a comida não está correto, pois apenas entramos no ônibus que já estava no evento para ir para o hotel do campeonato, que iria estar lá de qualquer jeito. A comida que recebemos é relativa a um ticket para cada jogador do mibr que garantia UMA refeição no McDonalds.
Espero ter ajudado a esclarecer os acontecimentos ligados ao ocorrido em Bogotá e usar este mesmo espaço para fazer um pedido aos responsáveis pelos grandes campeonatos mundiais como KODE5 e ESWC: escolham melhor seus coordenadores de qualifies tanto no Brasil quanto na América do Sul.
Atenciosamente.
Jean Michel “mch” D’Oliveira



